Black Swan - Crítica
Poucos filmes conseguem transformar a busca pela perfeição em algo tão assustador quanto Black Swan. Dirigido por Darren Aronofsky, o longa parte do universo do balé com toda a sua disciplina, rigidez e idealização estética para construir um thriller psicológico sobre obsessão, repressão, desejo e desintegração. Mas o que torna o filme tão fascinante é que ele nunca se contenta em ser apenas uma história sobre uma bailarina sob pressão. Black Swan é um filme sobre identidade em colapso, sobre o corpo como prisão e vitrine, e sobre o momento em que a necessidade de ser impecável deixa de ser ambição e se torna uma forma de aniquilação. A protagonista Nina, interpretada por Natalie Portman, vive em função do controle. Seu corpo, sua rotina, sua alimentação, sua sexualidade, sua relação com a mãe, tudo parece existir sob vigilância constante. Desde o início, Aronofsky constrói a personagem como alguém moldada para a pureza, para a delicadeza e para a obediência qualidades...