A Substância - Crítica
Há filmes de horror que trabalham com o medo do desconhecido, da violência ou do sobrenatural. A Substância, dirigido por Coralie Fargeat, escolhe um caminho mais cruel porque parte de um terror completamente real: o de envelhecer em uma sociedade que ensinou mulheres a tratar o próprio corpo como um produto, uma vitrine e, principalmente, algo que precisa estar eternamente disponível ao olhar alheio. O body horror do filme não está ali apenas como excesso visual ou provocação estética; ele funciona como a materialização brutal de uma pressão que já existe no cotidiano. Em A Substância, o corpo feminino deixa de ser apenas corpo e se transforma em campo de batalha. A premissa do longa já carrega essa violência. Elisabeth Sparkle, interpretada por Demi Moore, é uma mulher que vê sua relevância profissional e simbólica desmoronar à medida que envelhece. Não porque tenha deixado de ser talentosa, interessante ou capaz, mas porque a indústria ao seu redor e, por consequência, a socied...