BGS 2026: Como foi a experiência na maior feira de jogos da América Latina


A Brasil Game Show 2026 foi uma edição de contrastes. Entre encontros com fãs, cosplays incríveis, experiências interativas e jogos independentes que mereciam os holofotes, o evento também deixou algumas questões que não passaram despercebidas. Foi uma edição com seus pontos altos, mas que trouxe a sensação de que a BGS poderia ter entregado muito mais.


Um dos grandes destaques, sem dúvida, foram os cosplayers. A criatividade, o cuidado com os detalhes e a dedicação dos participantes ajudaram a dar vida ao evento. Personagens de diferentes universos tomaram conta dos corredores, transformando a feira em um verdadeiro desfile de talento e paixão pela cultura geek. Em meio a tantas experiências comerciais, foram essas pessoas que reforçaram a essência da comunidade que faz a BGS acontecer.


Por outro lado, quando olhamos para as grandes atrações da feira, a impressão foi de uma presença bastante concentrada em duas gigantes da indústria: Nintendo e SEGA. Ambas tiveram um papel importante na experiência do público, mas a participação de grandes empresas pareceu limitada quando pensamos na dimensão e na relevância que a Brasil Game Show conquistou ao longo dos anos. Para um evento que carrega a expectativa de reunir o que há de mais interessante no universo dos games, seria muito bem-vinda uma diversidade maior de grandes estandes, lançamentos e experiências de peso.


Outro ponto que chamou a atenção foi o espaço físico. Em determinados momentos, a sensação era de que o local estava pequeno para a quantidade de atrações e pessoas circulando pela feira. Ao mesmo tempo, a praça de alimentação parecia ocupar uma área considerável do evento. É claro que oferecer opções de comida e descanso é fundamental para quem passa horas no pavilhão, mas fica a reflexão: será que a distribuição do espaço poderia ter sido melhor planejada? Uma área maior destinada a experiências gamer, estandes e jogos independentes talvez tornasse a visita ainda mais interessante.


A edição também foi marcada pela ausência de alguns nomes conhecidos do público. Muitos famosos e personalidades que os fãs poderiam esperar encontrar acabaram não comparecendo, o que contribuiu para uma sensação de menor presença de celebridades e convidados de destaque. É importante lembrar que cada participação depende de agendas e compromissos individuais, mas, para um evento desse porte, a presença de convidados relevantes ajuda a criar momentos especiais e aumenta a expectativa de quem compra um ingresso para viver essa experiência.


Mas nem tudo se resume às grandes marcas e aos nomes famosos. Se houve uma área que conseguiu chamar a atenção de maneira especial, foi a dos jogos independentes. Em meio às gigantes do mercado, os indies mostraram criatividade, personalidade e ideias capazes de surpreender. São projetos que muitas vezes não contam com orçamentos milionários ou campanhas de marketing gigantescas, mas compensam isso com propostas originais, mecânicas interessantes e muita paixão por desenvolver jogos.


Foi justamente nesse espaço que a BGS 2026 mostrou uma de suas facetas mais interessantes. Os jogos independentes lembraram ao público que a indústria vai muito além das grandes franquias e que inovação nem sempre está ligada ao tamanho de uma empresa. Dar visibilidade a esses desenvolvedores é essencial, e a feira tem potencial para ampliar ainda mais esse papel nos próximos anos.


E, para nós, da BG Cult, esta edição teve um significado especial. Fazer parte da imprensa da Brasil Game Show 2026 foi uma honra e uma oportunidade de acompanhar de perto um dos eventos mais importantes da cultura gamer no país. Estar presente, registrar experiências, conhecer projetos e compartilhar tudo isso com nosso público reforça o compromisso da BG Cult com a cultura geek e com as pessoas que fazem parte dela.


No fim das contas, a BGS 2026 deixou sentimentos mistos. Tivemos cosplayers incríveis, jogos independentes que mereciam ainda mais atenção e a oportunidade de vivenciar o evento de uma perspectiva especial. Em contrapartida, a concentração das grandes atrações em poucas empresas, a distribuição do espaço e a ausência de alguns convidados levantaram questionamentos sobre o que poderia ter sido melhor.


A BGS continua sendo um evento importante para a comunidade gamer brasileira, mas tradição e tamanho também trazem responsabilidades. O público espera diversidade, novidades, experiências memoráveis e espaço para que tanto as gigantes quanto os pequenos desenvolvedores brilhem.


Que as próximas edições consigam equilibrar melhor esses elementos e transformar as críticas em oportunidades de evolução. Afinal, a força da Brasil Game Show não está apenas nos grandes estandes ou nos nomes estampados nos cartazes, mas também nos cosplayers que dão vida aos personagens, nos desenvolvedores independentes que apostam em novas ideias e em cada fã que atravessa os portões para celebrar sua paixão pelos games.


Fica o desafio de fazer com que a próxima edição seja ainda mais grandiosa não apenas no nome, mas também na experiência oferecida ao público.


Escritora e Editora: Brynith de Oliveira Carrera

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