The boys, final - Crítica




O final mais recente de The Boys foi basicamente o encerramento mais cruel e pessimista que a série poderia entregar — mas talvez esse sempre tenha sido o ponto.


O episódio transforma a guerra entre Butcher e Homelander em algo quase inevitável. Depois de temporadas construindo os dois como reflexos distorcidos um do outro, a série finalmente admite que eles já tinham ultrapassado qualquer noção de heroísmo faz tempo. A morte do Homelander não funciona como catarse gloriosa; ela é humilhante. Quando ele perde os poderes e começa a implorar pela vida, Eric Kripke desmonta completamente a imagem messiânica que o personagem construiu ao longo da série.  


E isso talvez seja a parte mais interessante do episódio: o final não quer mostrar “o maior super-herói do mundo” caindo. Quer mostrar que por trás de toda a propaganda existia só um homem covarde, vazio e infantil. O Homelander sempre precisou ser amado. Quando perde os poderes, perde também a única coisa que sustentava sua existência.


Butcher também recebe um final coerente e trágico. Ele vence, mas já completamente consumido pelo próprio ódio. A decisão do Hughie de matar o Butcher para impedir o vírus reforça o tema central da série: o maior perigo nunca foram apenas os supers, mas pessoas convencidas de que qualquer atrocidade vale pela “causa certa”.  


O episódio ainda mantém a sátira política da série até o último minuto. O fato de Homelander praticamente assumir o controle do país mostra como The Boys sempre foi menos sobre super-heróis e mais sobre culto à personalidade, radicalização política e manipulação midiática. A série exagera tudo ao extremo, mas o desconforto vem justamente porque várias situações parecem assustadoramente próximas da realidade.  


Ao mesmo tempo, acho que o final divide porque ele abandona parte do caos imprevisível das primeiras temporadas e escolhe um encerramento mais emocional e “limpo”. Alguns fãs sentiram que a série ficou mais próxima de um blockbuster tradicional justamente no último episódio.  


Mesmo assim, funciona como conclusão temática. O mundo de The Boys nunca permitiria um final realmente feliz. O máximo que os personagens conseguem é sobreviver carregando os próprios traumas. E talvez isso seja o mais honesto que a série poderia fazer. 

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