Star Wars: O Mandaloriano & Grogu - Crítica
Depois de anos em que Lucasfilm parecia perdida tentando descobrir o que fazer com Star Wars no cinema, O Mandaloriano & Grogu chega quase como um lembrete simples: talvez tudo que o público queria fosse apenas ver um pai adotivo espacial tentando cuidar do filho mais fofo da galáxia enquanto explode algumas naves no processo.
O filme continua exatamente de onde a série The Mandalorian construiu seu sucesso: a relação entre Din Djarin e Grogu. E honestamente, ainda funciona absurdamente bem. Pedro Pascal consegue transformar um homem que passa 90% do tempo escondido atrás de um capacete em um dos personagens mais emocionalmente humanos de todo o universo Star Wars. Enquanto isso, Grogu continua sendo basicamente uma mistura de bebê, gremlin e máquina profissional de vender brinquedos.
Visualmente, o longa abraça tudo aquilo que fez a série se destacar. Os cenários têm aquele aspecto de faroeste espacial sujo, vivido, cheio de mercenários estranhos, criaturas bizarras e pessoas claramente sobrevivendo à base de golpes duvidosos. Diferente de alguns projetos recentes da franquia, aqui existe personalidade visual.
As cenas de ação também melhoraram bastante na escala cinematográfica. As perseguições espaciais finalmente parecem grandes o suficiente para justificar a ida aos cinemas, e o filme sabe equilibrar combate, aventura e humor sem virar uma montanha-russa CGI sem alma.
Mas o maior problema é justamente sentir que a história às vezes parece “um episódio muito caro” da série. O roteiro funciona melhor nos momentos íntimos entre Din e Grogu do que no conflito principal em si. Alguns vilões entram e saem da trama sem muito impacto, e existe aquela sensação de que o filme está mais interessado em preparar futuros projetos do que contar algo verdadeiramente definitivo.
Ainda assim, existe um charme quase impossível de negar. O Mandaloriano & Grogu entende algo que muita produção recente de Star Wars esqueceu: nem tudo precisa decidir o destino da galáxia inteira. Às vezes basta acompanhar personagens carismáticos vivendo aventuras legais em um universo gigantesco.
E sinceramente? Ver Grogu causando caos absoluto enquanto Din tenta agir como um pai cansado continua funcionando toda vez. É praticamente um “pai solteiro intergaláctico: o filme”.

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