Split Fiction - Crítica


Split Fiction é o tipo de jogo que lembra por que experiências cooperativas ainda conseguem ser tão especiais. Depois do sucesso de It Takes Two, a Hazelight Studios volta apostando no caos cooperativo, mas agora com uma proposta muito mais ambiciosa: misturar fantasia, ficção científica e metalinguagem em uma aventura que parece mudar de gênero a cada hora.


A premissa já é absurda da melhor forma possível. Duas escritoras rivais acabam presas dentro de uma máquina capaz de transformar ideias em mundos jogáveis. A partir daí, Split Fiction vira uma explosão criativa constante. Um momento você está em uma cidade cyberpunk fugindo de drones gigantes; no outro, está montando dragões em um reino medieval. O jogo praticamente se recusa a ficar parado — e isso faz cada capítulo parecer uma experiência nova.


Visualmente, é facilmente o projeto mais impressionante da Hazelight até agora. Cada universo possui identidade própria, mecânicas únicas e direção artística extremamente detalhada. Tem fases que parecem um filme animado da Pixar misturado com um delírio sci-fi. A variedade é tão grande que o jogo quase vira uma coletânea de ideias que outros estúdios transformariam em jogos inteiros.


Mas o verdadeiro coração continua sendo o cooperativo. Split Fiction entende algo que muitos jogos esquecem: coop não é só “duas pessoas jogando juntas”. O jogo constrói mecânicas onde comunicação vira parte essencial da experiência. Cada personagem possui habilidades diferentes, puzzles exigem sincronização real e várias cenas simplesmente não funcionariam sozinho. É aquele tipo de jogo que cria momentos espontâneos — gritaria, risada, desespero — que acabam ficando muito mais na memória do que a própria história.


E falando na história: ela funciona melhor do que parecia nos trailers. Apesar do tom exagerado, existe uma camada interessante sobre ego criativo, insegurança artística e o medo de ver suas ideias sendo consumidas pela indústria. O roteiro não aprofunda tudo que apresenta, mas consegue dar personalidade suficiente para as protagonistas sem interromper o ritmo frenético da gameplay.


O maior problema é justamente esse excesso de ideias. Em alguns momentos, Split Fiction parece tão desesperado para impressionar que certas mecânicas aparecem por 15 minutos e somem para sempre. É divertido, mas às vezes dá a sensação de estar vendo um compilado de conceitos ao invés de algo mais consistente. Algumas piadas também forçam demais aquele humor “Marvelizado” moderno que pode cansar dependendo do jogador.


Mesmo assim, é difícil não admirar o que o jogo tenta fazer. Em uma indústria cada vez mais focada em experiências online infinitas, battle passes e jogos competitivos, Split Fiction aposta em algo simples: duas pessoas no sofá (ou online) vivendo uma aventura criativa juntas. E isso sozinho já faz ele se destacar.


No fim, Split Fiction não supera completamente It Takes Two emocionalmente, mas é maior, mais criativo e muito mais ousado visualmente. É um jogo que transforma cooperação em espetáculo — caótico, exagerado e extremamente divertido.




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