Shrek: O Musical, com Thiago Abravanel - Crítica


Existe algo profundamente caótico — e ao mesmo tempo perfeito — em transformar Shrek em um musical gigante no Teatro Renault. Porque o filme já era exagerado, barulhento e completamente sem vergonha de ser brega. No palco, isso tudo fica ainda maior. E sinceramente? Funciona muito melhor do que parece.

A nova montagem brasileira de Shrek: O Musical aposta pesado no espetáculo: cenários enormes, figurinos absurdos, maquiagem impressionante e um elenco que claramente entendeu que essa história precisa abraçar o humor pastelão sem medo. Tiago Abravanel como Shrek talvez tenha sido a escolha mais óbvia possível — e justamente por isso dá tão certo.  

O Tiago entrega um Shrek muito mais carismático e emocional do que simplesmente rabugento. Tem sarcasmo, piada, deboche e aquela energia de “homem cansado de interagir com pessoas”. Mas ao mesmo tempo ele deixa o personagem humano de verdade. E honestamente? O musical combina MUITO com ele porque o espetáculo inteiro tem essa energia exagerada e divertida que o Tiago sabe fazer naturalmente.

E o elenco de apoio ajuda demais. A Fiona interpretada por Fabi Bang e Myra Ruiz traz aquele equilíbrio entre princesa clássica e completo surto psicológico de mulher presa numa torre há anos. Já Evelyn Castro como Burro praticamente rouba cenas o tempo inteiro.  

Visualmente, a peça impressiona MUITO. É o tipo de musical que claramente quer que o público olhe pra tudo e pense “como colocaram isso no palco?”. Tem troca de cenário o tempo inteiro, figurinos gigantescos, criaturas de conto de fada surgindo de todos os lados e um dragão cenográfico absurdo.  

Mas o maior acerto continua sendo o humor. Shrek sempre funcionou porque trata contos de fada como uma grande piada coletiva, e a versão brasileira entende perfeitamente o humor brasileiro do personagem. O texto adapta memes, piadas e referências de um jeito que deixa o espetáculo mais próximo do público daqui.  

Claro, em alguns momentos o musical exagera tanto na energia “olha como somos engraçados” que certas cenas ficam quase caóticas demais. E quem espera algo mais sofisticado emocionalmente talvez ache a história simples. Mas também… é literalmente um musical sobre um ogro verde emocionalmente traumatizado cantando sobre amizade e aceitação.

E talvez seja exatamente isso que faz funcionar.

No fim, Shrek: O Musical é engraçado, barulhento, cafona, emocionante e extremamente divertido. Uma peça que entende perfeitamente que às vezes o teatro também pode ser só um grande surto coletivo muito bem produzido.


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