Obsessão - Crítica
A história acompanha Bear, um cara completamente apaixonado pela melhor amiga, Nikki, mas sem coragem nenhuma de admitir. Até que ele encontra uma espécie de graveto/varinha sobrenatural que realiza desejos quando quebrado. O desejo? Fazer a garota se apaixonar por ele. Porque claramente NADA pode dar errado quando você mexe com magia obsessiva por causa de paixão mal resolvida.
E o filme cresce justamente nessa ideia perturbadora: ele pega aquele pensamento tóxico de “queria que ela gostasse de mim” e transforma em horror psicológico brutal. O romance vira posse. O carinho vira controle. E aos poucos a história deixa de parecer um terror sobrenatural e começa a parecer um pesadelo sobre relacionamentos abusivos.
O mais interessante é que Obsessão começa quase como um romance indie estranho. Tem loja de discos, protagonista tímido, crush inalcançável e aquele clima meio “filme A24 sobre jovens emocionalmente destruídos”. Só que aí o filme vai ficando cada vez mais desconfortável, mais violento e mais desesperador. Quando você percebe, já tá vendo um caos emocional gigantesco acontecendo na tela.
E o Bear é um protagonista interessantíssimo justamente porque ele NÃO é um vilão clássico. Ele é carente, frustrado, inseguro… e transforma tudo isso em obsessão. O terror do filme funciona porque existe algo assustadoramente humano nele. Você entende as emoções do personagem — mas o filme mostra o quão monstruoso alguém pode virar quando tenta transformar amor em posse.
A direção também ajuda muito. O filme tem aquela energia de terror independente que parece simples visualmente, mas sabe criar tensão o tempo inteiro. E várias cenas usam silêncio e desconforto social melhor do que muito jumpscare caro de Hollywood.
Claro, nem tudo funciona. Em alguns momentos o roteiro exagera tanto no sofrimento e na degradação dos personagens que parece querer apenas chocar o espectador. E certas cenas vão longe demais só pelo impacto. Mas honestamente? Isso combina com a proposta perturbadora do filme.
No fim, Obsessão é praticamente uma metáfora gigantesca sobre gente que acha que “amar alguém” significa ter controle sobre ela. Um terror sobre carência emocional disfarçado de maldição sobrenatural.
E sinceramente? Depois desse filme, qualquer pessoa oferecendo graveto mágico na rua parece automaticamente suspeita.

Comments
Post a Comment