Forbidden Fruits - Crítica



“Forbidden Fruits” é o tipo de filme que entende perfeitamente a própria proposta e justamente por isso consegue funcionar tão bem dentro do caos que cria. É uma obra que abraça o exagero, a estranheza e o desconforto sem tentar se justificar o tempo inteiro, e talvez seja exatamente isso que a torna tão interessante.


A abordagem das bruxas aqui foge daquela imagem clássica e fantasiosa que o cinema costumava construir durante anos. O filme parece muito mais interessado em explorar o cultuamento, a obsessão coletiva e a maneira como figuras femininas acabam transformadas em símbolos quase místicos dentro da cultura atual. Existe algo muito contemporâneo na forma como a narrativa mistura espiritualidade, estética, influência e poder. As bruxas de “Forbidden Fruits” parecem menos criaturas sobrenaturais e mais reflexos de uma geração obcecada por identidade, pertencimento e idolatria.


E a estética do filme entende isso perfeitamente. Tudo ali parece propositalmente exagerado, quase artificial, como se estivéssemos presos dentro de um ritual performático o tempo inteiro. As cores, os figurinos, os enquadramentos e até a forma como os personagens se movem criam uma sensação constante de que estamos assistindo a algo proibido, íntimo e ao mesmo tempo teatral. O visual praticamente vira uma extensão psicológica da narrativa.


O mais interessante é que “Forbidden Fruits” nunca tenta parecer um filme “normal”. Ele é fora da casinha em vários momentos, mas de um jeito completamente coerente com aquilo que constrói. Existe uma loucura crescente na narrativa que surpreende, mas ao mesmo tempo parece inevitável. O espectador percebe cedo que aquele universo não opera pelas regras tradicionais e o filme usa isso a seu favor. Quanto mais estranho fica, mais sentido faz dentro da própria lógica da obra.


Toda a questão envolvendo os nomes, os símbolos e o culto construído ao redor dessas figuras cria uma atmosfera quase hipnótica. O filme entende o poder que existe em transformar pessoas em entidades maiores que elas mesmas. Em muitos momentos, parece menos uma história sobre bruxaria e mais uma crítica sobre devoção moderna, sobre como a sociedade cria ícones, os idolatra e depois se perde completamente dentro dessa adoração.


Existe também algo muito interessante na forma como o longa trabalha o feminino. O poder das personagens nunca parece totalmente confortável ou seguro. Pelo contrário: há sempre uma sensação de fascínio misturada com ameaça. O filme seduz o espectador visualmente enquanto constrói uma atmosfera inquietante por baixo da superfície.


E talvez seja exatamente por isso que “Forbidden Fruits” permanece na cabeça depois que termina. Não é um filme preocupado em explicar tudo ou em agradar todos os públicos. É uma experiência estética, quase sensorial, que abraça o excesso e transforma estranheza em identidade própria.


No fim, o filme funciona justamente porque entende que sua loucura não é um defeito, é a própria essência da obra.

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