Death Stranding 2: On the Beach - Crítica
Death Stranding 2: On the Beach é a prova definitiva de que Hideo Kojima simplesmente não sabe fazer algo “normal”. E honestamente? Ainda bem.
Enquanto a maioria dos jogos modernos tenta ser rápida, explosiva e constantemente estimulante, Death Stranding 2 continua apostando no oposto: silêncio, contemplação, solidão e longas caminhadas em cenários gigantescos. Parece absurdo no papel… mas quando o jogo encaixa, vira uma experiência que poucos videogames conseguem entregar.
A história continua aquela mistura caótica que só Kojima conseguiria criar. Tem política, trauma, fim do mundo, conexão humana, críticas sociais, conceitos científicos malucos e cenas que parecem ter sido escritas às 4 da manhã depois de um sonho febril. Só que diferente do primeiro jogo, aqui tudo parece emocionalmente mais pesado e mais humano.
Visualmente, é facilmente um dos jogos mais bonitos já feitos. Tem momentos em que os cenários parecem reais demais:
- tempestades gigantescas
- desertos infinitos
- praias melancólicas
- cidades destruídas
- criaturas grotescas surgindo da escuridão
Tudo possui uma direção cinematográfica absurda, quase parecendo um filme interativo da A24 com orçamento infinito.
A gameplay ainda vai dividir muita gente. Sim, você continua andando MUITO, carregando peso e organizando entregas. Mas agora existe muito mais variedade, mais ação e sistemas mais refinados. O jogo entende melhor quando precisa ser contemplativo e quando precisa explodir tudo em caos completo.
E aí entra o maior diferencial de Death Stranding 2: ele transforma coisas normalmente “chatas” em parte da experiência emocional. Atravessar um lugar vazio durante vários minutos ouvindo música melancólica acaba dizendo mais sobre solidão do que muitos jogos inteiros tentando parecer profundos.
O elenco também ajuda demais. Norman Reedus continua carregando o jogo com uma atuação extremamente humana, enquanto os novos personagens adicionam ainda mais estranheza ao universo já completamente maluco criado pelo Kojima.
Claro, o jogo continua extremamente indulgente consigo mesmo. Tem diálogos exagerados, exposição demais e momentos tão absurdos que parece impossível explicar pra alguém sem soar completamente insano. Mas isso também faz parte da identidade dele.
Death Stranding 2 não tenta agradar todo mundo — e talvez seja exatamente por isso que ele parece tão único. É estranho, pretensioso, lindo, cansativo, emocionante e completamente inesquecível ao mesmo tempo. Uma obra que às vezes parece videogame, às vezes cinema, e às vezes apenas o delírio artístico mais caro já financiado na indústria.
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