Backrooms: Um Não-Lugar - Crítica
Poucas ideias da internet moderna conseguem ser tão simples e tão assustadoras quanto Backrooms. Um corredor amarelo vazio, luz fluorescente fazendo barulho infernal e a sensação constante de que existe alguma coisa observando você. Era quase inevitável que isso virasse filme em algum momento. E Backrooms: Um Não-Lugar entende muito bem esse desconforto.
O maior mérito do filme é perceber que o terror das Backrooms não funciona através de sustos tradicionais. O medo aqui vem da sensação de isolamento absoluto. Aqueles corredores infinitos parecem um pesadelo corporativo criado por alguém que passou tempo demais em escritório sem janela. Quanto mais o protagonista anda, mais o espectador sente aquela ansiedade horrível de estar perdido em um lugar que simplesmente não faz sentido.
Visualmente, o filme acerta demais na ambientação. Os cenários parecem saídos diretamente das imagens que viralizaram na internet anos atrás: carpetes amarelados, paredes vazias, iluminação artificial desconfortável e um silêncio que fica quase ensurdecedor. Existe algo profundamente perturbador em lugares que deveriam parecer normais, mas claramente não são.
E talvez esse seja o aspecto mais inteligente do longa: ele entende o conceito de “liminal spaces”. O filme transforma ambientes comuns em algo alienígena. É como entrar em um shopping vazio às três da manhã ou numa escola durante as férias e sentir que o lugar perdeu completamente sua humanidade.
Mas também existe um problema que acompanha praticamente toda adaptação de creepypasta: explicar demais. Parte do terror original das Backrooms vinha justamente do mistério absurdo daquele universo. Quando o filme tenta criar muitas regras, entidades e explicações, uma parte do medo desaparece. O desconhecido quase sempre é mais assustador.
Ainda assim, Backrooms: Um Não-Lugar funciona porque consegue capturar uma ansiedade muito moderna. Não é apenas medo de monstros — é medo de vazio, repetição, solidão e da sensação de estar preso em um lugar sem saída. Um terror quase existencial disfarçado de corredores infinitos.
No fim, o filme parece um pesadelo estranho que você teria depois de dormir vendo vídeos no YouTube às quatro da manhã. E sinceramente? Isso combina perfeitamente com Backrooms.

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